Curiosidades sobre os joelhos...
Quando falamos em más posições/afinações na bicicleta, o joelho é provavelmente a articulação do ciclista que mais sofre.
No entanto, há várias razões para o joelho não se comportar da forma ideal, e nem todas estão relacionadas com a posição dos cleats/travessas, que é o senso comum.
A título de curiosidade, apresentamos aqui 3 casos, com comportamentos diferentes e com razões diferentes. Apresentamos ainda a prova de que por vezes, o problema não está na posição do ciclista, mas na sua mente. Curiosos?!
No "Caso 1", temos um ciclista experiente, que faz muitos kms, essencialmente em bicicleta de estrada e quem tem boa flexibilidade geral. Esta foi uma das melhores gravações do "tracking" do joelho que fizemos no nosso estúdio. Reparem na linha bastante linear e no desvio lateral durante toda a pedalada: 14mm. O sistema considera que tudo o que seja abaixo dos 40mm é aceitável e seguro, pelo que 14mm é uma oscilação praticamente inexistente. Este ciclista, além de ter maior performance, não corre riscos de lesões no joelho se continuar nesta posição.
No "Caso 2", temos um ciclista também experiente, que faz uma quantidade razoável de kms, neste caso, essencialmente em BTT. A sua flexibilidade é um pouco inferior à do "Caso 1", mas bastante aceitável. Neste caso, o desvio lateral do seu joelho é bastante grande e apesar de ter uma linha algo linear, o valor inicial saía do máximo permitido pelo sistema (40mm). Curiosamente, já tínhamos aqui a posição final afinada e isto era a única coisa que nos "incomodava". Após a análise do historial deste ciclista, verificámos que no passado, este fez alguns exercícios durante sessões de fisioterapia, para resolver um problema antigo, que lhe deram o "vício" de colocar o joelho para fora no topo da pedalada. Assim, o problema aqui não estava na posição do ciclista, mas na sua mente, pois tinha ganho anteriormente este movimento vicioso.
Explicámos o que deveria fazer, deixamos pedalar alguns minutos e fizemos a segunda gravação. Surpresa! O desvio lateral diminuiu quase para metade, entrando claramente nos valores aceites pelo sistema. O cliente ficou em choque! Há muito que dizemos que pedalar bem não é só fazer força, é preciso técnica e também neste campo tentamos ajudar. Tínhamos a certeza de que a posição do ciclista estava boa, mas queríamos tirar esta situação a limpo. Agora basta que nas próximas semanas e meses, este ciclista se concentre na sua pedalada, de forma a que o seu cérebro interiorize a nova forma de pedalar. Com alguma dedicação, sabemos que esta situação vai ficar completamente corrigida.
No "Caso 3", temos um ciclista com muitos anos de bicicleta mas muito poucos kms semanais. Pratica tanto BTT como estrada, mas com preferência para a estrada. A sua flexibilidade é baixa, com grande discrepância entre as duas bandas iliotibiais. Verificamos que o desvio lateral está no limite do sistema (40mm), mas o "tracking" do movimento não é de todo linear, é oval. Antes da segunda gravação, tentámos explicar o que deveria fazer para corrigir a pedalada (como fizemos no "Caso 2"), mas neste caso, apesar de haver melhorias, o desvio continuou perto do limite e o movimento continuou pouco linear. Neste caso concreto, o problema está no encurtamento das suas bandas iliotibiais (mais evidente num lado do que no outro), o que lhe "puxa" o joelho para fora e dá a linha apresentada. Neste caso concreto, apesar de poder concentrar-se em melhorar o movimento, a grande solução passará pela realização de alongamentos, especialmente das bandas iliotibiais, de forma a que o seu joelho não seja constantemente "puxado" para fora, tendo assim um movimento "de pistão" bastante mais linear.
Estes três casos são uma curiosidade que resolvemos partilhar, e servem essencialmente para vermos as diferenças de resultados entre ciclistas com características diferentes, em que muitas das vezes o problema não está no ajuste de cleats/travessas mas sim em características do seu corpo e em alguns casos, em vícios adquiridos, apenas corrigidos com a ajuda da mente e concentração. Mexer em cleats/travessas é simples, mas conseguir perceber que o problema não está aí ou tentar explicar ao cliente que o problema não está na sua posição mas na sua mente... isso sim, por vezes é complicado! ;)
Queremos ainda esclarecer que todos os ciclistas estão dentro dos intervalos recomendados e que nenhum corre o risco de lesões. Isto apesar do "Caso 1" ser o mais "bonito". Tudo o que sugerimos aos outros dois, serve portanto apenas para aperfeiçoar o movimento.
Boas pedalas!



